domingo, 31 de julho de 2016

Prece silenciosa...



E fechava os olhos para me desligar de tudo, como em uma prece silenciosa, pedia um pouco de resistência, apenas o suficiente para suportar o reboliço dentro do meu ser... E me desligava do mundo a minha volta, deixava que as lágrimas caíssem uma a uma, que trouxessem refrigério a minha alma já cansada, magoada e machucada... E me sentia vazia de mim mesma, oca da minha presença, da presença do mundo. E prostrava-me diante da noite, como à um amante confidente e derramava-me no imponderável, no impossível, no indiscutível, despedindo-me de mim... E eu era lagarta, pressa a um casulo, a um fiapo de esperança, esperando a metamorfose, esperando renascer...

Diana Lestan

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