quinta-feira, 2 de junho de 2016

Cravadas na alma...



Mas ela correu pelas ruas, estava nervosa, aflita, como se algo acendesse dentro dela, um pavio de pólvora, uma confusão, um queimar intenso vindo de sei lá onde,  atravessou aquela rua com o semáforo aberto, caminhando entre os carros, tinha uma necessidade urgente de chegar, de passar por aquela porta, tirar aquela roupa que agoniava seu corpo, se olhar no espelho e procurar os tais indícios... Será que ela conseguiria vê-los? Será que se revelariam a ela, assim, de bom grado? Ela respirou fundo, passou a mão na maçaneta, destrancou a porta, entrou em casa e pois em prática seu plano sórdido, e, ao se despir, em pé ante ao espelho/vida, com olhos de lince se examinava exaustivamente e nada, depois de algum tempo, entendeu finalmente, de forma fabulosa e terrível, que aquelas suas marcas, não eram visíveis na carne, estavam cravadas na alma, um lugar onde perduravam com mais intensidade...

Diana Lestan

2 comentários:

  1. Um texto intenso, cheio de ritmo e com uma imensa ansiedade a mover um cerco ao próprio corpo... Muito belo!
    Beijos.

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    1. Graça, querida, obrigada pelas suas palavras, você entendeu a essência do texto, é realmente um mover-se, um envolver-se, uma descoberta em si mesma... Beijo e ótima semana para você.

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