quinta-feira, 30 de junho de 2016

Destino...



Estamos presos a um destino, a um caminho e por mais que tentemos atalhos, a estrada sempre dá um jeito de nos colocar novamente fora do desvio. Serão os acasos, as coincidências e discrepâncias, anomalias do caminho ou tudo acontece como deve acontecer?

Somos marionetes na mão do destino e no auge de nossa ignorância, pensamos controlar tudo, quando é exatamente o contrário, é ele que nos tem nas mãos.

Diana Lestan

sábado, 25 de junho de 2016

E no canto dessa sua ausência, é nela, que eu melhor o vejo


E o tempo, lá no canto dessa ausência, ouço um olhar. Às vezes, não sei ao certo a hora exata, mas também penso discernir um leve sorriso, de uma figura misteriosa, que me olha e consegue enxergar o mais profundo das minhas entranhas. É quase como se fosse um reconhecimento, como se ainda fosse um pedaço encoberto, envolto por uma seda fina, sendo rasgado lentamente, em uma noite clara. E posso vê-lo se aproximar vagarosamente, sem pressa, como se estivesse imóvel, mas sempre mais e mais próximo. E talvez o seu cheiro também se misture ao tempo, o vento se encarrega de trazê-lo, aroma raro, puro, cheiro que atiça o ar, que embriaga a cada canto, que me encanta. E eu me sinto na espreita da chegada, imagino seus passos, dados com uma calma que me inquieta, que me enrijece o corpo e me movo ou penso me mover, mas a mente me mantêm no lugar, a espera , como um presa a espera do predador. E olho-o fixamente, com um olhar baixo, temente, curioso, desejoso e percebo o seu olhar de volta, querendo me surpreender ou seria para me deixar com medo? Não, parece mais um olhar de abate, o que se dá a presa para acalma-la. E então me pergunto silenciosamente, por que não corro? Por que não fujo? Por que não grito?
 cada vez mais perto, a cada passo, a cada movimento preciso, vejo sua figura  imponente, sua forma, seu cheiro, a firmeza de cada passo. Não há obscuridade, nada que o desvie do caminho, mãos firmes, olhar firme, olhos que me entorpecem, tento me mover, mas não posso e não quero, eu preciso estar ali. Mas essa sua postura me intriga, me deixa indefesa, frágil, exposta, ele sabe da minha fugaz esperança e eu fecho os olhos, e, ouço o seu olhar, discirno o seu sorriso, toco no ar o seu cheiro e sinto seus passos, que estão apenas um toque de minhas mãos, mas eu sei que não devo tocá-lo, não ouso levantar a mão, eu apenas o imagino e o espero, no canto dessa sua ausência, é nela, que eu melhor o vejo.
Diana Lestan

segunda-feira, 6 de junho de 2016

E você se engana...


E você se engana, ingênua que é, tentando fazer de uma ilusão algo palpável, tentando segurar a fumaça entre os dedos, mas a vê dissolver dia após dia.
E você se engana, boba que é, fazendo de cada instante, minuto importante, mas as mãos estão vazias, o corpo trêmulo com o frio da ausência e no ar se dissipa as dúvidas, trazendo o pensamento derradeiro.
E você se cansa de se enganar, saí desarrumando tudo de lugar, jogando ao chão seus detalhes e suas confusões descomunais, e, se esvai na penumbra do seu ser, que punge até que se finda, se desfaça, havendo apenas aquela luz aparentemente calma e fugaz, da certeza que já não existe mais,  que se desfaz.

Diana Lestan


domingo, 5 de junho de 2016

E há momentos...


E há momentos, em que eu sinto, que entendo tudo e no momento seguinte, sinto que todas as dúvidas, me invadem a mente.

E há momentos, em que eu sinto meu ser, se revirar todo, experimento um não me entender, um rasgar íntimo de todas as minhas convicções, como se minhas raízes, estivessem sendo arrancadas uma a uma e no lugar delas, outras raízes plantadas e alimentadas, com uma força ainda desconhecida à mim, contudo, ansiada de forma extrema, igual a qual, um condenado deseja a centelha da paz, que há na absolvição, difícil não ser despertada, aterrorizada, ao ponto de querer olhar o abismo, de querer provar o gosto, o mistério de se sentir ao extremo, de forma fatal e absoluta, ver a cerne exposta e nua.
E há momentos, em que bendigo o que sinto, em que não me entendo e que me entendo fora de mim, em que me dói o retirar e plantar das raízes, a visão do abismo, o gosto misterioso da absolvição, e, a fatal e inevitável rendição.

Diana Lestan



quinta-feira, 2 de junho de 2016

Cravadas na alma...



Mas ela correu pelas ruas, estava nervosa, aflita, como se algo acendesse dentro dela, um pavio de pólvora, uma confusão, um queimar intenso vindo de sei lá onde,  atravessou aquela rua com o semáforo aberto, caminhando entre os carros, tinha uma necessidade urgente de chegar, de passar por aquela porta, tirar aquela roupa que agoniava seu corpo, se olhar no espelho e procurar os tais indícios... Será que ela conseguiria vê-los? Será que se revelariam a ela, assim, de bom grado? Ela respirou fundo, passou a mão na maçaneta, destrancou a porta, entrou em casa e pois em prática seu plano sórdido, e, ao se despir, em pé ante ao espelho/vida, com olhos de lince se examinava exaustivamente e nada, depois de algum tempo, entendeu finalmente, de forma fabulosa e terrível, que aquelas suas marcas, não eram visíveis na carne, estavam cravadas na alma, um lugar onde perduravam com mais intensidade...

Diana Lestan

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Quando penso em você...


Gosto desses sentires que me invadem, que me atravessam o peito, quando penso em você, esses sentires que me atiçam a mente, que me fazem falar e pensar em tudo e chegar a conclusão de nada. Vez por outra, sou assaltada por esses pensamentos, que me inquietam a pele, que me vestem a pele, que mesclam a pele de vontades, pele/alma. E me vejo atordoada, perdida nesses lugares, à visitar dentro de ti e me movo, corro de um ponto ao outro, me canso de correr e me volto a caminhar. E fecho os olhos e sinto a liberdade de existir, de poder ser eu, poder ser você ou ele ou ela, quem eu quiser ser, sem me deter, sem me envergonhar. Mas há receios, há incertezas, há dúvidas e também há um desejo descoberto, que empurra, que encoraja, que mesmo no mais desesperador silêncio, chama, clama, insiste, persiste, respira lá dentro, no mais profundo das minhas entranhas e me estranha, me abraça, me atravessando a pele, o peito entre-aberto, a alma, quando penso em você.

Diana Lestan